Não era somente um desodorante vencido

Por Fabrício Carpinejar

Bullying não é brincadeira. Bullying não é mimimi.

A chacina de Goiânia é um alerta político. Um adolescente de 14 anos, vítima frequente das ofensas de sua turma, roubou a pistola dos pais policiais militares e matou dois colegas e feriu outros quatro dentro do Colégio Goyases na manhã dessa sexta (20/10).

Era uma vingança pelas humilhações suportadas em silêncio ao longo do ano letivo. Ele vinha sendo hostilizado de fedorento e chegou a receber até um desodorante como inesperado, pungente e irônico presente.

Não tem como justificar o crime, nem perdoá-lo. Mas é o momento de refletir sobre o quanto subestimamos a violência escolar.

O bullying hoje está muito mais agressivo do que duas décadas atrás, pois envolve também perseguição e segregação digital. Os desaforos não terminam na escola, seguem pelo dia adentro na web. O sinal do fim da aula não interrompe o medo.

A tortura psicológica não encontra pausa, com troças infinitas pelos contatos no WhatsApp. Quem é esculhambado não vê para onde fugir, pois a sua página no Facebook também é invadida por comentários ofensivos e insinuações violentas.

Quem diz que bullying sempre existiu e que a preocupação com apelidos é uma frescura não acompanha a trolagem nas redes sociais.

Bullying é saúde mental, é saúde pública. Ao cuidar dele, preventivamente, em campanhas nas escolas, estaremos economizando lá adiante com internações e medicação nos hospitais.

Bullying não é exagero, não é drama, não é piada inofensiva, não é implicância natural.

Quantos adolescentes, sem saída para a angústia, em vez de revidar os ataques, cometem suicídio? E nunca ficamos sabendo. São engolidos pela solidão, levando consigo os segredos malditos e perversos da convivência.

O adolescente é uma bomba-relógio porque ele sente a vida com o dobro de intensidade dos adultos. Ele ama e odeia ao mesmo tempo, está permanentemente à flor da pele, caminhando do tudo para o nada, do nada para o tudo. Alterna extremos de alegria e de raiva em pouquíssimos minutos.

O corpo está mudando, a voz está mudando, ele não reconhece mais a si e depende da aprovação externa de seus amigos para assumir a identidade.

Se não é aceito nos grupos sociais, se não é aprovado, ele se convencerá de que é um monstro, entenderá que crescer é uma metamorfose do mal.

Ele também não tem nenhuma reserva emocional: perdeu a proteção e a segurança da infância. Não caminha mais de mãos dadas com os pais, não recebe colo, não cura as discussões com abraços, não se desculpa com beijo. Não acontecerá o contato da pele para reaver os vínculos.

É somente cobrado sem os prêmios do afeto e do conforto de quando era pequeno. No fundo, encontra-se sozinho pela primeira vez no mundo. Pretende se mostrar independente, porém é carente e sedento de reconhecimento.

O adolescente é órfão de suas perguntas e aflições. Tranca o quarto e chaveia o coração.

Ele merece um cuidado especial. Não se abrirá com facilidade. Não comunicará o seu sofrimento.

O costume é engolir o pedido de socorro. Talvez tente emplacar uma conversa séria uma única vez, mas, se fracassar, não voltará a tocar no assunto. Mergulhará de novo para a educação fingida e respostas monossilábicas.

O adolescente não dá segunda chance para a confissão. Ou os pais e educadores permanecem atentos aos sinais ou ele irá explodir secretamente contra si ou contra todos.

A recuperação exige a confiança rarefeita do desabafo.

Porque a dor, quando guardada, aumenta. Já a dor, quando partilhada, diminui – quem consegue falar descobre que a sua dor não é exclusiva e que muitos sofrem parecido.

Bullying destrói personalidades fortes, desmancha temperamentos firmes. Sua maior maldade é transformar a ferida em alegria, as privações em palhaçadas.

As risadas machucam. Apanha-se de risadas. Pessoas se divertem às custas do constrangimento de alguém. De sinônimo do bem, a gargalhada é convertida em veneno.

O que nos resta a fazer é mudar o nosso entendimento de coragem.

Coragem não é sofrer sozinho, é pedir ajuda.

Ex-preparador físico de Ayrton Senna é preso por violência sexual

Por Gabriela Moreira

O ex-preparador físico de Ayrton Senna, Nuno Cobra, de 79 anos, foi preso há pouco pela Polícia Federal em São Paulo. Ele se apresentou à superintendência, após ter sido condenado pelo crime de violação sexual contra uma mulher, de 21 anos (à época), durante um voo, em 2015. O pedido de condenação foi publicado na semana passada.

Após a nota, uma outra vítima se apresentou à procuradora Ana Carolina Previtalli Nascimento, do Ministério Público Federal, para contar que também havia sido vítima do profissional. A mulher, uma jornalista, narra que em agosto deste ano, após uma entrevista e na presença de outros colegas, o acusado apertou suas nádegas e esfregou seu órgão sexual nela, afirmando que os homens possuem “energias sexuais”, que “as mulheres deveriam compreender”.  A jornalista apresentou testemunhas do ocorrido. Este segundo caso trazido aos autos ensejou o pedido de prisão que foi decretado pela 3ª Vara Federal de São Paulo e cumprido nesta segunda-feira.

De acordo com a sentença, proferida pela juíza Raecler Baldresca, o ex-preparador físico foi condenado por violação sexual mediante fraude e por meio que dificultou a livre manifestação da vítima”. Por este ocorrido, Nuno foi condenado a 3 anos e 9 meses, com pena convertida em serviços comunitários, além de multa.  Mas com o recebimento do novo caso de violação sexual, foi decretada a prisão preventiva do acusado.

Em contato com o advogado que representa Nuno, Sergei Cobra,  o mesmo disse que não poderia falar por estar em audiência. Na semana passada, por ocasião da primeira nota a respeito do assunto, o advogado disse que seu cliente era “inocente” e que provaria isso no processo.

Do ESPN

A execrável obsessão da imprensa em provar que Reynaldo Gianecchini é gay


Por Jeff Benício

Autor da Teoria dos Ídolos, que coloca o homem como um plagiador de comportamentos alheios, o filósofo inglês Francis Bacon escreveu: “a fama é como um rio, que mantém à superfície as coisas leves e infladas, e arrasta para o fundo as coisas pesadas e sólidas”.

Pois foi em águas agitadas – as da badaladíssima Ibiza, na Espanha – que Reynaldo Gianecchini viveu seu momento ‘Daniella Cicarelli’: alguém fez fotos de um suposto flagra do ator na companhia de um rapaz.

Alguns sites imediatamente insinuaram um beijo na boca que não se vê e uma relação homoafetiva. As fotos (e a fofoca) correram pelas redes sociais mais rápido do que as ondas mediterrâneas.

Pela enésima vez a sexualidade de Gianecchini suscita boatos, especulações e julgamentos morais. Estamos mesmo em 2017?

Desde a estreia na TV como coprotagonista de ‘Laços de Família’, no ano 2000, o ator sofre a chamada invasão de privacidade. Há uma obsessão jornalística em provar que ele é gay. Aliás, o jornalismo ainda existe?

A questão é: parte da imprensa que cobre o mundo da televisão e dos famosos não aceita que ele seja ‘apenas’ hétero.

Outra parte vai além: acha que o galã tem obrigação de revelar hipotética bissexualidade ou homossexualidade. A Santa Inquisição acabou mesmo? Certeza?

Truman Capote e Gore Vidal, se estivessem vivos, bocejariam de tédio com a curiosidade pública em relação a quem Gianecchini leva para o mar – e para a cama.

Os dois gênios da escrita, gays assumidos, foram exímios cronistas do lado mesquinho da sociedade americana e, por reflexo, do mundo ocidental.

De acordo com ambos, adoramos bisbilhotar a intimidade alheia – uns para se excitar, outros para demonizá-la com discurso conservador – enquanto fazemos o impossível para manter em segredo nossas fantasias, fetiches e perversões.

E há os que desejam a desmoralização de celebridades como Gianecchini por inveja primitiva do que elas representam: fama, sucesso, beleza, sensualidade, riqueza, glamour, status, aprovação social, autoestima…

Tanta positividade esfregada na nossa cara merece ser castigada, pensam os haters. E dá-lhe expurgação de complexos, traumas e/ou desejos enrustidos por meio de xingamentos previsíveis e textões raivosos.

Flagrada com um namorado no mar de Cádiz, na Espanha, em 2006, Daniella Cicarelli conheceu na prática o machismo, a misoginia e a crueldade coletiva ao ser massacrada por um ato que só dizia respeito a ela.

Agora Gianecchini passa pelo mesmo constrangimento: a vida superexposta, avaliada e sentenciada ao gosto do freguês – quanto pior, melhor, é óbvio. O sadismo pulsa à flor da pele.

Nos tumblrs da vida uma frase popular resume a ópera-bufa: “Hipocrisia é falar mal de quem faz tudo aquilo que você sempre quis fazer, mas tem medo”.

Capote e Vidal estavam certos: somos humanamente deploráveis.

Com marido à venda, mulher atrai legião de interessadas

Teresa Turner sofre de misofonia (pouca tolerância a sons). O marido, Rob, insistia em assistir a um vídeo em volume alto. Irritada, Teresa decidiu adotar uma medida drástica: põr “o marido à venda” em uma página de classificados no Facebook!

A mulher postou uma foto de Rob e escreveu.

“Tenho um marido de 33 anos que não é mais necessário por me deixar nervosa. Não quero dinheiro, é de graça. Ele é domesticado e treinado para usar o banheiro”.

Na verdade, Teresa queria angariar a simpatia e a solidariedade dos seus amigos – e amigas – na rede social com o seu “drama”. Só que o tiro saiu pela culatra. Várias interessadas solteiras surgiram para “comprar” Rob. Em poucas horas…

Tudo cancelado, rapidamente.

Rob continua morando com Teresa. Ela, por sua vez, vai pensar duas vezes antes de voltar a anunciar o “produto”. Pode ser que consiga mesmo vendê-lo.

Do Gazeta On Line

Atendentes com síndrome de Down comandam Chefs Especiais Café

Por Priscila Camazano

Com tantas cafeterias novas surgindo, é difícil achar alguma com uma proposta diferente. Por isso, é mais que bem-vinda a chegada do Chefs Especiais Café, que se autodenomina o primeiro café inclusivo do Brasil. Ali, os atendentes são, em sua maioria, portadores de síndrome de Down. E o menu, estampado atrás do balcão, avisa: aqui se oferece respeito, oportunidade, amor e inclusão.

A inspiração para a casa, recém-inaugurada na rua Augusta, veio de um café semelhante de Dublin, na Irlanda. Por aqui, os funcionários são alunos do Instituto Chefs Especiais, escola de gastronomia que, desde 2006, oferece cursos para quem tem a síndrome.

Como o café, que fica na Rua  Augusta, em São Paulo, foi inaugurado há pouco mais de um mês, os funcionários contam com a ajuda de supervisores, mas a ideia é que, com o tempo, eles ganhem autonomia.

Saiba como controlar medo e desconfiança no seu trabalho

sem-titulo-1

Por Daniela do Lago

Existem muitas pessoas que adoram assustar as outras. Quando levamos um susto, temos uma descarga rápida de adrenalina, geralmente seguida por uma boa gargalhada. Mas, no ambiente corporativo, as coisas não funcionam assim. Não gostamos de levar sustos no trabalho. O medo que contamina o ambiente corporativo não é rápido. Ele permanece, minando a produtividade e gerando suspeitas.

Esse tipo de medo destrutivo pode infectar o ambiente até mesmo em tempos de prosperidade. E, a partir do momento em que o medo se instala, é difícil expulsá-lo.

A consultora Lynn Taylor realizou uma pesquisa de opinião nos EUA em que 76% dos trabalhadores disseram ficar temerosos quando o chefe fecha a porta da sala. Não quando o chefe anuncia uma demissão. Tampouco quando o chefe conduz uma audiência disciplinar. Não, 76% das pessoas têm medo quando o chefe simplesmente fecha a porta!

Se o fato de fechar uma porta pode ter esse efeito, imagine o tipo de medo que outras atitudes podem despertar. Por mais surpreendente que possa parecer, alguns chefes trabalham para gerar medo. Alguns veem essa atitude apenas como uma das facetas do prazer do poder. Outros acreditam que um pouco de medo motiva as pessoas. Não é verdade. Quanto mais cedo você puder eliminar esse tipo de negatividade do seu ambiente de trabalho, melhor.

O que você pode fazer para ajudar a amenizar o medo?

Elimine o sarcasmo: Existe muito sarcasmo no seu ambiente de trabalho? Onde há sarcasmo, normalmente existe medo, porque o sarcasmo transforma as pessoas em alvo do ridículo. Você pode eliminar essa fonte de medo abolindo piadas e comentários sarcásticos do seu ambiente de trabalho. Comece pelo seu repertório, deixando claro que você não vai tolerar qualquer tipo de sarcasmo da parte dos outros também.

Discuta o indiscutível: Quais são as questões “indiscutíveis” no seu ambiente de trabalho? Todo lugar tem: funcionários que recebem tratamento diferenciado, políticas que não são seguidas, gerentes que inspiram medo. Pergunte a todos ao seu redor sobre as questões indiscutíveis e ouça atentamente o que eles têm a dizer. Quanto mais discutimos sobre um determinado assunto, menos fantasias negativas temos a respeito das consequências que podem acontecer.

Seja exemplo: Adote o comportamento que você gostaria de ver. Transforme o medo em respeito utilizando os erros como oportunidade de crescimento.

Use o humor: O humor é uma ótima maneira de desarmar as pessoas e fazer com que elas se lembrem do que você está dizendo. Portanto, não deixe o humor em casa. É uma ótima válvula de escape para o medo. Lembre-se apenas de não zombar dos outros. Não precisa: você vai se surpreender até aonde o humor o levará.

Sentir medo no trabalho pode limitar sua proatividade e capacidade de ter ideias novas e criativas. Você teme tanto as consequências de suas possíveis atitudes que estaciona sua carreira. Pratica a chamada auto-sabotagem. Faz com que não arrisque como poderia e isso fatalmente vai comprometer seus resultados. É um círculo vicioso.

O medo faz parte da vida de todos nós e precisamos ter atitude corajosa. Busque falar bastante sobre assuntos que o deixam inseguro. Assim, saberá a real dimensão e o desafio que terá que enfrentar.

Xixi na cama após os 5 anos pode ser sinal de problema

xixi

Por Melissa Diniz

Após o desfralde e até que complete cinco anos, é comum que a criança tenha certa dificuldade para segurar a urina durante a noite. A fase é parte normal do desenvolvimento infantil e precisa ser encarada com naturalidade e paciência. Após essa idade, uma avaliação médica se faz necessária para verificar se o escape de xixi não é indicativo de algum problema de saúde, como infecção urinária ou insuficiência renal.

“Primeiro, aprende-se a controlar o xixi durante o dia e, depois, durante o sono. O controle esfincteriano noturno ocorre de seis a 12 meses após o diurno”, explica a pediatra Eliane Garcez da Fonseca, do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Não é raro que, nessa fase de aprendizado, ocorra a superficialização do sono sem haver o despertar, por isso acontece de a criança sonhar que está no banheiro e acabar soltando o xixi na cama.

Segundo a especialista, a incontinência urinária durante o sono depois dos cinco anos chama-se enurese noturna. “Após essa idade, se a criança se sente envergonhada e há repercussões negativas em sua vida social [como evitar convites para dormir na casa de amigos], existem boas opções de tratamento medicamentoso”, diz a médica.

Estima-se que 10% das crianças em idade escolar façam xixi na cama, sendo que 50% delas apresentam histórico familiar do problema. “Se um dos pais teve enurese, o risco de o filho também ter é de 44%. Se os dois pais tiveram, as chances aumentam para 77%.”

De acordo com Eliane, quando o quadro aparece isoladamente, denomina-se enurese noturna monossintomática. Mas também é possível que surja associado a outros sinais e sintomas, tais como incontinência diurna, aumento ou diminuição da frequência urinária, dificuldade para iniciar ou manter o jato, infecção urinária, alteração de marcha (dificuldade para andar), baixa estatura e vômitos frequentes.

“Esses sintomas são sinais de alerta para os pais. Uma avaliação médica é essencial para diferenciar um quadro mais simples de um mais grave”, diz.

A médica afirma que pesquisas recentes têm apontado uma maior prevalência da enurese entre pacientes com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TOD (Transtorno de Oposição e Desafio), condição em que a criança tem um comportamento desafiador diante de figuras de autoridade.

Porém, essa não é uma relação de causa e efeito, são considerados comorbidades (quando duas doenças ou distúrbios estão relacionados). Nesses casos, o tratamento de uma condição ajuda na resposta ao tratamento da outra.

Causas emocionais
Para a psicoterapeuta junguiana Sâmara Jorge, especialista em orientação de pais, a forma como a família lida com o desfralde pode interferir negativamente no comportamento da criança. “Há pais que ficam bastante ansiosos com esse momento e cobram muito do filho e de si mesmos. Ficam bravos, repreendem ou colocam fraldas para não ter trabalho durante a noite. Isso confunde a criança e pode aumentar seu medo e ansiedade por não corresponder às expectativas.”

Sâmara explica que fatores emocionais costumam estar presentes, sobretudo na chamada enurese secundária, quando a criança já adquiriu o controle do esfíncter e regride, voltando a fazer xixi na cama. Mas podem também influenciar nos casos de enurese primária, quando a criança nunca adquiriu o controle.

“Não é raro que crianças apresentem a enurese em situações de estresse. Separação dos pais, morte de alguém querido, mudanças, entrada na escola, chegada de um irmãozinho e tantas outras circunstâncias podem acarretar o problema”, diz.

Antes de atribuir uma causa emocional, aconselha a psicoterapeuta, é preciso descartar a existência de problemas físicos por meio de uma avaliação médica minuciosa.

Lidar com a enurese pode ser uma tarefa difícil para a família. Por isso, informação e orientação são essenciais. “Em primeiro lugar é preciso saber que a criança não faz xixi na cama porque quer. É um sofrimento para ela e motivo de vergonha também. Castigos, punições e piadas são a pior abordagem. Só levam a criança a se sentir mais ansiosa, incapaz e sem autoestima”, diz Sâmara.

Para a psicóloga, o indicado é explicar para a criança o que acontece e buscar uma solução. “Sentir o acolhimento e a empatia dos pais e familiares traz um alívio tão grande que, muitas vezes, já se percebem alguns sinais de melhora.”

Quando a situação não é bem conduzida pode levar a criança a desenvolver problemas de autoestima e socialização, tendendo ao isolamento. “É preciso tratar a questão com cuidado e delicadeza, evitando expor sua intimidade, contando para as pessoas que ela faz xixi na cama. Além disso, jamais compará-la com irmãos ou outras crianças.”

Outra dica da psicóloga é incentivar a criança a participar do processo de controle do xixi. “É importante que ela ajude a trocar a roupa de cama, sua própria roupa e ajude a colocar na máquina de lavar, por exemplo.”

Segundo a psicóloga, ao fazer isso, os pais devem ter cuidado para não dar a ideia de punição. “A criança precisa perceber que pode se cuidar, com a ajuda dos pais. Isso dará a ela uma sensação de autonomia e de que está crescendo e se responsabilizando por sua higiene, por si mesma, o que pode influenciar positivamente em sua autoestima.”

Medidas práticas para evitar que seu filho faça xixi na cama:

1 – Hidrate bem a criança durante o dia para que ela não sinta tanta sede à noite.

2 – Procure não dar muitos líquidos para a criança próximo da hora de dormir.

3 – Evite dar bebidas com cafeína à criança.

4 – Contribua para que a criança tenha uma alimentação saudável, rica em verduras, frutas e legumes, que melhoram o funcionamento do intestino. A constipação intestinal dificulta o controle urinário.

5 – Estabeleça uma rotina para a criança, incluindo uma ida ao banheiro para fazer xixi e escovar os dentes, imediatamente antes de deitar. Deitar de bexiga vazia aumenta capacidade de armazenar a urina produzida durante a noite.

6 – Reconheça e elogie os dias em que a cama amanhece seca, mas é preciso acolher e dizer que está tudo bem também nos dias em que isso não acontece.

7 – Se necessário, busque a ajuda de um psicólogo.

Ninar é diferente de chacoalhar o bebê

Untitled-2

Por Thamires Andrade

Uma notícia publicada pelo jornal chinês “People’s Daily” de que uma menina de sete meses morreu enquanto era ninada colocou os pais em alerta. Segundo a publicação, o pai segurava a filha no colo em uma cadeira de balanço quando ela começou a espumar pela boca. Ela foi declarada morta ao chegar no hospital e diagnosticada como vítima da síndrome do bebê sacudido, quando a criança sofre lesões cerebrais por ser balançada com força. No entanto, segundo os pediatras ouvidos pela reportagem, um simples ninar não é capaz de causar esse tipo de dano neurológico.

A síndrome do bebê sacudido acontece em casos de movimentações bruscas. Segundo a neuropediatra Silvana Frizzo, às vezes, os adultos, desesperados com o choro da criança, acabam balançando-a com força pelos braços, em um movimento para frente e para trás, sem apoio da cabeça. Ainda que não existam dados da incidência da síndrome no Brasil, ela é a segunda causa de morte em crianças nos Estados Unidos.

Como o volume cerebral do bebê é desproporcional ao corpo, o órgão fica “solto” dentro da caixa craniana. “Quando a criança é chacoalhada, acontece um processo de aceleração e desaceralação, provocando a ruptura dos vasos presentes no sistema nervoso central e na retina”, explica a pediatra Flávia Nassif.

O movimento, de fato, faz com que ela pare de chorar, no entanto, os sintomas da síndrome começam a aparecer. “A criança pode ter um quadro confusional –caracterizado por sonolência, convulsão ou agitação–, sangramento na retina ou hemorragia intracraniana “, afirma Flávia.

A orientação, segundo Luci Yara Pfeiffer, do Departamento de Segurança da Criança e Adolescente da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), é levar a criança imediatamente a um pronto-socorro infantil, de preferência que possua uma UTI neonatal, para iniciar o tratamento das sequelas.

“Em muitos casos, a criança não aguenta as lesões e morre. No entanto, as que sobrevivem podem ficar cegas, com paralisa cerebral, dificuldades motoras e cognitivas, retardo mental, dificuldades de sociabilização e aprendizado, além de crises convulsivas para o resto da vida. Tudo depende da intensidade do sangramento e do tempo que ela demorar para chegar a um serviço de emergência”, declara Silvana.

Outra medida para evitar a síndrome, é evitar brincadeiras bruscas com os filhos. “Jogar a criança para cima ou para um outro tio de brincadeira pode gerar uma descompensação cerebral. Todo movimento brusco com a cabeça da criança pequena deve ser evitado”, afirma a pediatra do Departamento de Segurança da Criança e Adolescente da SBP.

Bullyng: agressor precisa de tanta atenção quanto a vítima

Sem-Título-2

Por Beatriz Vichessi

É comum que educadores e pais se mobilizem para acolher e escutar crianças e adolescentes que sofrem bullying. E não há nada de errado nisso. No entanto, o responsável pelas agressões também precisa de atenção.

“Quem agride ou oprime um colega a ponto de constranger ou machucá-lo repetidas vezes expressa muita fragilidade emocional e alto nível de sofrimento psíquico”, diz Karyn Bulbarelli, diretora educacional da Escola Lourenço Castanho, de São Paulo. Segundo Cátia Alves, coordenadora pedagógica do Colégio Graphein, também na capital paulista, o agressor, geralmente, sofre de baixa autoestima.

Somente punir o responsável pelo problema não ajuda a acabar com a situação. É preciso investir na educação de todos, para evitar que as relações inadequadas se formem ou se prolonguem.

Educadores têm se mobilizado para fazer campanhas a respeito e, desde fevereiro, está em vigor a lei que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática em todo o território nacional.

O objetivo principal do programa é prevenir e combater a prática de bullying no Brasil. Uma das ações possíveis é fazer um trabalho minucioso e profundo de compreensão para reverter a situação, o que inclui conversas claras com os envolvidos, além de trabalhos com os alunos que estão ao redor.

Acolha o agressor

Para acolher a criança ou adolescente que faz bullying, antes de mais nada, é essencial não pré-julgá-lo e permitir que ele expresse seus sentimentos. Muitas vezes, a fala do agressor é surpreendente e revela problemas em casa, medos e vergonhas. Para se defender e tentar revidar o que o agride, ele ataca os colegas.

É evidente que, ao ser chamado para conversar com um adulto, ele tende a não se abrir de imediato. Por isso, é fundamental validar os sentimentos dele –mas não as ações, claro–, para que ele se sinta acolhido e seguro.

“Não podemos calar, isolar e marginalizar quem comete bullying. Precisamos fazer com que ele se envolva com o grupo de forma positiva, ajudá-lo a se colocar no lugar do outro e a se sensibilizar”, fala Edith Rubinstein, psicopedagoga e mestre em psicologia e diretora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia, de São Paulo.

Uma estratégia eficiente –cada vez mais comum em escolas– são as reuniões com alunos em que um educador atua como mediador. São baseadas na ideia de círculos restaurativos –abordagem colaborativa e pacificadora para resolução de conflitos empregada em diversas situações (familiar, escolar, profissional etc.).

Cátia explica que quando, além do agressor e da vítima, a conversa envolve outros colegas de turma, colocações pertinentes são feitas. De acordo com ela, pelo fato de estarem fora do problema, distantes da tensão emocional, é mais fácil para eles ajudarem.

No mais, ao envolver os indivíduos ao redor na resolução do problema, muito pode ser investigado, já que o problema nem sempre está restrito a quem comete bullying e a vítima. “O agressor pode ser porta-voz de um grupo, que assiste de forma silenciosa à situação”, afirma Cátia.

Conforto e descrição são fatores fundamentais para causar uma boa impressão no dia-a-dia

BGD

Escolher peças para usar no ambiente profissional não é uma tarefa fácil. Exagerar nas escolhas que compõem o look pode acabar chamando mais atenção do que se deve. Para que isso não aconteça, é necessário usar o bom senso e apostar em peças clássicas, uma vez que nunca saem da moda. Pensando nisso, grifes investem cada vez mais em itens que possam ser utilizados, sem perder a classe e o estilo.

O clima do ambiente é o primeiro passo a ser levado em consideração. Se o lugar for mais formal, é possível fazer uma combinação poderosa mesmo sem extravagância, apostando em um look discreto. Já se o ambiente for mais informal, nada impede de usar um acessório mais extravagante e abusar um pouco das cores. Pensando nisso, uma grife está oferecendo modelos atemporais para mulheres contemporâneas e maduras, que prezam por conforto e qualidade.

A marca oferece peças coringas e versáteis que ajudam a compor looks casuais e clássicos para qualquer ocasião. “Procuro garimpar culturas e me inspirar, trazendo a referência para as peças. Junto com minha equipe, acompanho desde a escolha da cartela de cores à análise dos tecidos e acabamentos”, comenta a estilista Keila Benício.

Outro aliado é o bom senso. No que diz respeito aos pés, algumas opções são essenciais para se ter no armário. O clássico escarpin preto, por exemplo, arrematam bem qualquer produção. O Peep toe também é uma boa aposta. Femininos, vão bem com calças jeans de corte reto, bermudas de alfaiataria e saias sequinhas. Para o verão, os destaques são as rasteirinhas, sapatilhas e sapatos coloridos. Confortáveis, as opções dão um charme a mais para o visual e podem ser usados em qualquer ocasião, a qualquer hora do dia.