Morre o comentarista da palavra abalizada

Voz pausada, entonação perfeita. Uma opinião sempre equilibrada. Ontem, no início da noite, o baiano de Ilhéus, Luís Cavalcante, aos 87 anos, deixou a crônica esportiva pernambucana de luto. Ele faleceu no Hospital Albert Sabin, na Ilha do Leite, onde estava internado. O Comentarista da Palavra Abalizada, como ficou conhecido, deixou a esposa, dois filhos, além de netos e bisnetos. Há algum tempo, ele vinha lutando contra as consequências do diabetes e também um câncer de pulmão.

Luís Cavalcante começou a trabalhar em Pernambuco no ano de 1955, na Rádio Olinda, depois de iniciar a carreira na Rádio Cultura, de Ilhéus, em 1952. No Estado, marcou época primeiro como narrador e depois como comentarista, sendo um dos mais respeitados profissionais da área, num tempo em que pontificavam no Estado cronistas como Barbosa Filho e o locutor Ivan Lima.

Em sua trajetória, ele também prestou serviços à sua categoria, como presidente da Associação de Cronistas Desportivos de Pernambuco (ACDP). Na sua gestão, a ACDP conseguiu comprar a sala onde funciona até os dias de hoje, na Rua Solimões, Bairro de Santo Antônio, centro do Recife. O dinheiro para a compra do imóvel veio da realização de um torneio entre Náutico, Sport, Santa Cruz e América.

Durante 34 anos, ele emprestou sua voz à Rádio Jornal do Commercio. Com seis Copas do Mundo no currículo, Luis Cavalcante cobriu um Mundial de futebol pela primeira vez em 1974 na Alemanha. Sua participação em coberturas de Copa do Mundo encerrou-se na França, em 1998. Por sua notoriedade e serviços prestados ao futebol local, ele foi agraciado com os títulos de cidadão do Recife e de Pernambuco por Câmara de Vereadores e Assembleia Legislativa.

Da FolhaPE

Morre um ídolo


O ex-goleiro Waldir Peres, ídolo do São Paulo e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982, faleceu na tarde deste domingo. Aos 66 anos de idade, foi vítima de infarto fulminante logo depois de almoçar, em Mogi Mirim, no interior paulista.

O ex-jogador não sofria com nenhuma doença, segundo familiares, mas reclamou de azia e falta de ar logo depois de comer. Foi levado ao hospital 12 de Julho, mas não resistiu. Não era casado e deixa dois filhos e uma filha.

Nascido em Garça (SP), Waldir surgiu na Ponte Preta, mas foi para o São Paulo em 1973, aos 22 anos. Ficou no clube por quase 11 anos, destacando-se como defensor de pênaltis – teve atuação fundamental na conquista do Campeonato Brasileiro de 1977. Ganhou ainda os Paulistas de 1975, 1980 e 1981.

Waldir Peres foi o segundo jogador com mais partidas pelo São Paulo. Atuou em 617 partidas, acumulando 300 vitórias, 195 empates e 122 derrotas. Só é ultrapassado por Rogério Ceni, que atuou em 1237 jogos.

Waldir saiu do Tricolor paulista em 1984 e, até se aposentar, cinco anos depois, defendeu América-RJ, Guarani, Corinthians, Portuguesa, Santa Cruz e Ponte Preta. Voltou a ser campeão somente em 1988, ganhando o Estadual pelo Corinthians.

Defendeu a Seleção Brasileira entre 1975 e 1982, ano em que foi titular no Mundial da Espanha no qual o time de Telê Santana, com nomes como Falcão, Zico e Sócrates, ficou marcada pelo bom futebol apresentado, mesmo eliminada ao ser derrotada pela Itália antes das semifinais da competição.

Do Lance

Uma chuva de gols na Ilha do Retiro

Foi um banho! Literalmente. Sob forte e ininterrupta chuva, o Sport venceu o Atlético-GO por 4×0, nesta quinta-feira (20), na Ilha do Retiro, pela 15ª rodada do Brasileirão. O resultado recolocou o Leão no G-6, a zona de classificação à Libertadores. Os rubro-negros subiram para a quinta colocação, com 24 pontos.

O Sport volta a campo no domingo. Encara o Palmeiras, às 16h, na Arena de Pernambuco. Trata-se de um confronto direto pelo G-6. No momento, os palmeirenses somam 23.

O JOGO

Em um gramado encharcado por conta da forte chuva, a vontade prevaleceu em detrimento da técnica no primeiro tempo. Nesse quesito, os rubro-negros foram indiscutivelmente superiores. Cada bola foi disputada como se fosse “a bola da vida”. E nessa imposição na base da força, o Sport construiu uma cômoda vantagem antes do intervalo.

A vitória começou a se desenhar logo no primeiro lance. Mena cruzou rasteiro da esquerda e achou livre no meio da área o volante Patrick, que mandou com frieza para o fundo da rede aos 6 minutos. Foi o primeiro gol do camisa 88 pelo Leão. Daí em diante, um verdadeiro “monólogo” rubro-negro, com várias chances em sequência.

De tanto pressionar, o Sport achou seu segundo gol aos 18. Mais uma vez, o lance nasceu nos pés do chileno Mena, que cruzou na medida para Diego Souza cabecear para o fundo da rede: 2×0. Foi o 33º do camisa 87 pelo Leão em Brasileiros, que empatou com o ex-atacante Leonardo como o maior artilheiro do Clube na história da Série A.

Oito minutos depois, Diego Souza quase ampliou. O meia deixou para trás o marcador, invadiu a área e deu uma “cavadinha” para superar Klever, mas o goleiro conseguiu dar um tapa e impedir um golaço. Só que aos 40, ele nada pôde fazer. Depois de cobrança de falta da direita, André apareceu entre os zagueiros para escorar para o fundo da rede: 3×0.

No segundo tempo, o gramado ficou ainda mais pesado e os atletas encontraram dificuldades para fazer a bola rolar. Assim, os lances ofensivos se tornaram raros. Mas quando a chuva deu uma trégua, o Leão ampliou. Aos 35 minutos, Rithely lançou André, que bateu com categoria encobrindo o goleiro goiano. Golaço e fim de papo na Ilha. Sport 4×0.

FICHA DO JOGO

SPORT: Agenor; Samuel Xavier, Ronaldo Alves, Durval e Mena (Sander); Patrick, Rithely e Diego Souza (Rodrigo); Everton Felipe, Rogério (Lenis) e André. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

ATLÉTICO-GO: Klever; André Castro, Gilvan, Roger Carvalho e Breno Lopes; Marcão (Heleno), Igor e Paulinho (Andrigo); Jorginho, Niltinho (Silva) e Walter. Técnico: Doriva.

Local: Ilha do Retiro. Árbitro: Dewson Freitas da Silva (PA). Assistentes: Hélcio Araújo e José Ricardo Coimbra (ambos do PA). Gols: Patrick, aos 8 minutos do 1º tempo; Diego Souza, aos 18 do 1º; e André, aos 40 do 1º. Cartões amarelos: Rithely e Everton Felipe (S); e Igor (A). Público: 9.748 torcedores. Renda: R$ 194.049,00.

Do Site Oficial / Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Pouco antes de morrer, jogador da Chapecoense descobre que seria pai

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Por Rachel de Castro

O time estava em São Paulo após jogar contra o Palmeiras e saiu do aeroporto de Guarulhos, São Paulo, rumo à Colômbia.

O avião que carregava o time do Chapecoense para um dos jogos mais importantes de sua história caiu perto de Medellin, na madrugada desta terça-feira (29), deixando 76 mortos e 5 sobreviventes. Esta é uma das maiores tragédias do esporte no Brasil.

O Presidente do Conselho da Chapecoense, Plinio David de Nes Filho, disse à TV Globo que “Ontem de manhã, eu me despedindo deles, eles diziam que iam em busca do sonho para tornar esse sonho uma realidade. E nós, muito emocionados, compartilhamos muito com eles desse sonho, e o sonho acabou nesta madrugada”.

Outro sonho que acabou na madrugada de terça-feira foi o sonho do jogador Thiaguinho, de se tornar pai. Thiago de Rocha Vieira, de 20 anos, recebe a notícia dos colegas que seria pai. Sua esposa Graziele, de 18 anos, mandou uma carta e presente anunciando a chegada do bebê e todos se emocionaram muito. Thiaguinho não dá muita atenção ao presente até saber que é de sua mulher, logo que ele lê a carta, ele começa a pular de alegria junto com seus amigos.

Veja o vídeo emocionante:

Plinio também adicionou em entrevista: “Esse grupo dentro da Chapecoense, entre atletas e direção, não era apenas um grupo de respeito mútuo profissional ou pelo dirigente, era um grupo familiar, era um grupo de amizade onde todo mundo ria muito. Mesmo nas derrotas, os nossos estímulos para que se procurasse mais adiante a vitória era uma coisa constante. Nós vivíamos em harmonia, em uma alegria muito grande”.

No vídeo podemos ver a harmonia, alegria e união de todos no time. Eles realmente eram um grupo familiar, como disse o Presidente do Conselho Chapecoense.

Esta tragédia nos faz refletir sobre quão importante é amar uns aos outros, desenvolver amizades e demonstrar o quanto amamos nossas famílias.

 

Avião que levava equipe da Chapecoense cai a caminho de Medellin

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O avião que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, sofreu um acidente na madrugada desta terça-feira (29), informam autoridades colombianas. O prefeito Frederico Gutierrez disse que o acidente matou ao menos 25 pessoas. Há sobreviventes. O avião da Lamia, matrícula CP2933, decolou de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com 81 pessoas a bordo: 72 passageiros e 9 tripulantes.

Quatro ambulâncias se deslocaram para o local, e habitantes também auxiliaram nos primeiros socorros. De acordo com comunicado emitido por volta das 4h30 (de Brasília) pelo Aeroporto José Maria Córdova, seis pessoas foram resgatadas até o momento.

As ambulâncias com os primeiros feridos chegaram ao Hospital San Juan de Dios de La Ceja por volta das 5h (de Brasília). O trabalho de resgate foi suspenso por volta das 6h (de Brasília) por causa das condições meteorológicas adversas, já que chove muita na região.

O primeiro sobrevivente a ser atendido no hospital foi o lateral esquerdo Alan Ruschel, que chegou consciente ao local e conversando com os funcionários do local. Posteriormente, hospitais da região informaram que os goleiros Danilo e Follmann também estão sendo atendidos e estão entre os sobreviventes.

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“Há alguns jogadores que sobreviveram. Machucados, mas sobreviveram. Trabalho agora é de superar as dificuldades do caminho para trazê-los aqui”, disse Kaleth Gutierrez, capitão do Corpo de Bombeiros. “São muitos sobreviventes”, destacou, em entrevista à Rádio 730.

Os bombeiros do local transportaram 15 feridos até o momento – os encontrados em pior estado e dos quais conseguiram acesso. A região do acidente é isolada, o terreno montanhoso e as péssimas condições do tempo dificultam o trabalho de resgate.

O avião de matrícula CP2933 * transportava 81 pessoas; entre tripulação, jogadores, comissão técnica, diretoria e jornalistas. A delegação brasileira viajava rumo a Medellín, cidade na qual a Chapecoense iniciaria nesta quarta-feira a briga pelo primeiro título continental diante do Atlético Nacional.

A Aerocivil colombiana também se pronunciou sobre o acidente. “Uma aeronave procedente da Bolívia, da empresa Lamia e com matrícula SP2933 RJ 80, se acidentou em Cerro El Gordo (…), com 72 passageiros, da equipe Chapecoense (Brasil), e 9 tripulantes a bordo”, emitiu, em nota, a organização.

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“Os organismos atendem neste momento a situação e procedem o traslado dos feridos a diferentes centros assistenciais da região. Pessoas da Aeronáutica Civil já instalou um Posto de Mando Unificado no Centro de Operações Aéreas no Aeroporto José Maria Córdová de Rionegro para atender a situação”, acrescenta, a nota.

Autoridade local, o Coronel da Aeronáutica Civil colombiana Fredy Bonilla prefere manter a cautela ao falar sobre o assunto. “Não podemos falar em mortes. E há a confiança de que podemos resgatar pessoas com vida.”

A diretoria da Chapecoense teve a mesma postura em relação ao acidente. De acordo com o ice-presidente Ivan Tozzo, o clube irá aguardar informações oficiais para se pronunciar.

“Em função do desencontro das notícias que chegam das mais diversas fontes jornalisticas, dando conta de um acidente com a aeronave que transportava a delegação da Chapecoense, a Associação Chapecoense de Futebol, através de seu vice-presidente Ivan Tozzo, reserva-se o direito de aguardar o pronunciamento oficial da autoridade aérea colombiana, a fim de emitir qualquer nota oficial sobre o acidente. Que Deus esteja com nossos atletas, dirigentes, jornalistas e demais convidados que estão junto com a delegação”, disse o clube.

O avião da Chapecoense saiu de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, rumo a Medellín na noite desta segunda-feira. Informações da imprensa colombiana apontam a falta de combustível como motivo para o acidente.

O Atlético Nacional se pronunciou sobre o acidente ainda na madrugada desta quarta-feira. “Atlético Nacional lamenta profundamente e se solidariza com a Chapecoense pelo acidente ocorrido e espera as informações das autoridades”, escreveu o clube na conta oficial do Twitter.

A Conmebol anunciou o cancelamento da final da Copa Sul-Americana, que teria o primeiro jogo disputado nesta quarta-feira.

Confira a lista dos jogadores e comissão técnica que estavam no avião

Jogadores
Goleiros: Danilo e Follmann;
Laterais: Gimenez, Dener, Alan Ruschel e Caramelo;
Zagueiros: Marcelo, Filipe Machado, Thiego e Neto;
Volantes: Josimar, Gil, Sérgio Manoel e Matheus Biteco;
Meias: Cleber Santana e Arthur Maia;
Atacantes: Kempes, Ananias, Lucas Gomes, Tiaguinho, Bruno Rangel e Canela.

Comissão técnica
Treinador – Caio Júnior
Auxiliar técnico – Duca
Preparador Físico – Anderson Paixão
Preparador de Goleiros – Boião
Fisiologista – Cezinha
Médico – Dr. Marcio
Fisioterapeuta – Rafael Gobbato
Analista de Desempenho – Pipe Grohs

Do UOL • Fotos: Caracol Radio, Fabríco Crepaldi e UOL

Morre Muhammad Ali, a lenda do boxe

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Considerado um dos maiores atletas de todos os tempos, Muhammad Ali faleceu na madrugada deste sábado, nos Estados Unidos. Multicampeão mundial de boxe e uma lenda do esporte, ele deixa de legado um histórico impressionante de vitórias no ringues. Ele tinha 74 anos de idade e estava internado em estado muito grave em um hospital de Phoenix (Arizona), onde deu entrada com problemas respiratórios.

A morte foi confirmada oficialmente por meio de um comunicado divulgado pela família do ex-boxeador. Horas mais cedo, o porta-voz da família de Ali, Bob Gunnel, já havia informado que o mítico ex-pugilista sentiu dificuldades ao respirar e os médicos já lhe estavam tratando no centro médico de Phoenix, no qual foi internado.

Muhammad Ali fez mais de 60 lutas profissionais em sua vitoriosa carreira e as derrotas podem ser contadas nos dedos de uma mão. Com uma técnica impecável e uma resistência fora do comum, ele tornou-se uma lenda no mundo do boxe. Não só pelo seu talento em cima do ringue, mas também por uma postura política que não era comum em atletas de grande expressão.

Foi no dia 17 de janeiro de 1942 que ele veio ao mundo, na cidade de Louisville, em Kentucky. Por ser o primogênito, ganhou o nome do pai e foi batizado como Cassius Marcellus Clay Jr., que também foi o nome de um importante político abolicionista do século 19 nos Estados Unidos.

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O pai era descendente de escravos e trabalhava como pintor. Já a mãe, Odessa O’Grady Clay, era empregada doméstica. Com apenas 12 anos, o pequeno Cassius conheceu o técnico de boxe Joe Martin, que também era chefe de polícia na cidade. Em uma tentativa de assalto, o garoto reagiu com socos para evitar que o ladrão roubasse sua bicicleta. Logo Martin viu o menino em ação e recomendou que ele praticasse boxe, para aprender a se defender.

Com apenas 40 quilos, o pequeno Cassius passou a aprender os primeiros golpes de boxe com o próprio Martin e em seis meses fez sua primeira luta, ganhando por pontos após três rounds. Aquela modalidade fascinava o garoto, que treinava com afinco e dedicação. Era atrevido em cima do ringue e se esforçava mais que qualquer outro atleta.

Aos 18 anos, o boxeador disputou os Jogos de Roma, em 1960, já tendo Chuck Bodak como técnico, e teve sua primeira grande vitória: superou o medo de avião para voar até a Itália para competir. Para isso, fez questão de levar um paraquedas dentro da aeronave, para usar em caso de emergência. Voltou com a medalha de ouro na bagagem, ao vencer o polonês Zigzy Pietrzykowski, e muitas boas recordações da competição, onde demonstrou todo seu carisma e foi até apelidado de “Prefeito da Vila Olímpica”.

Aliás, nos Jogos de Roma ele já chamou a atenção pelo excelente trabalho de pernas no ringue e meses depois fez sua primeira luta como profissional, contra Tunney Hunsaker, e venceu por decisão unânime. A partir daí foram 18 combates, todos com vitória, sendo 15 por nocaute, até ter a chance de disputar o cinturão dos pesados contra Sonny Liston. Venceu por nocaute, no sétimo round, e ficou com o título da Associação Mundial de Boxe e do Conselho Mundial de Boxe.

Ele tinha recém-completado 22 anos e já era campeão do mundo. A fase amadora de sua carreira no boxe serviu para lhe dar experiência para os combates que estariam por vir. Aliás, o cartel dele quando era amador não é preciso, mas estima-se que tenha tido mais de 100 vitórias no mínimo e menos de dez derrotas, ou seja, um aproveitamento excelente.

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Só que logo após a vitória sobre Liston, que foi movida por muita provocação entre os lutadores, Cassius resolveu mudar de nome e passou a se chamar Muhammad Ali, nome escolhido pelo líder nacional do Islamismo, religião que ele adotou. Na ocasião, o boxeador falou que não queria usar seu sobrenome de escravo que ele não havia escolhido.

Para sua infelicidade, ele acabou tendo seu cinturão da Associação Mundial de Boxe retirado. A entidade alegou outros motivos, mas no fundo o atleta achou que era por causa de sua opção pelo Islamismo. Pouco mais de um ano depois de conquistar o cinturão, veio a revanche contra Sonny Liston. A vitória veio com pouco mais de dois minutos no primeiro round.

Depois disso engatou uma sequência de dez defesas de cinturão sem derrota. Em 1967, após a vitória sobre Zora Folley, se recusou a aceitar a convocação do exército para combater na Guerra do Vietnã. Ainda disse que não via motivos para lutar contra os vietcongues porque “nenhum deles me chamou de crioulo”. Por causa dessa negativa, foi suspenso do boxe e teve seus títulos confiscados. Até ali tinha um cartel de 29 vitórias sem derrota, sendo 22 por nocaute.

Ali retornou aos ringues em 1970 e foi no ano seguinte que sofreu o primeiro revés como profissional, ao perder para Joe Frazier por decisão unânime. O pugilista se recuperou na luta seguinte, contra Jimmy Ellis, e emendou mais nove vitórias até cair novamente, desta vez diante de Ken Norton, por decisão. Só que na revanche com o rival, em setembro de 1973, venceu também pela contagem dos pontos.

No ano seguinte, venceu Joe Frazier e ganhou moral para enfrentar George Foreman, no Zaire, naquela que é considerada uma das maiores lutas da história. Ganhou por nocaute no oitavo assalto e embolsou US$ 5 milhões na época. De 1975 a 1977, Foram dez defesas de cinturão sem derrota.

Um novo revés veio em 1978, contra Leon Spinks, mas na revanche ele retomou o cinturão. Fez mais duas lutas ainda na carreira, contra Larry Holmes e Trevor Berbick, e foi derrotado em ambas antes de pendurar as luvas. Longe dos ringues, sua luta passou a ser contra as doenças. Em 1984 foi diagnosticado com Mal de Parkinson. Como diante de adversários mais fortes, soube se esquivar até quando teve fôlego.

Do Estadão

Em coma, internado no HR, Leonardo é mais um ídolo esquecido pelo Sport

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Por Marcelo Cavalcante, do Blog Arquibancada

Vez por outra sou obrigado a escrever sobre a amnésia dos clubes em relação à sua história. Ou seria desleixo? Não importa. Em ambos os casos, fico surpreso quando tudo que foi escrito durante o tempo não é valorizado. Como se o passado fosse um mero detalhe. Agora, nesse início de 2016, em pleno carnaval, vem a notícia do estado de saúde do ex-atacante do Sport, Leonardo. Além de um dos maiores atacantes que vi jogar pelo Sport, ele vinha atuando nas divisões de base do clube. Mas está praticamente esquecido pelo clube na UTI do Hospital da Restauração.

Desde de dezembro, Leonardo vinha sofrendo convulsões. Assustado, visitou médicos em busca de um diagnóstico preciso, mas foi em vão. Somente agora, quando a situação ficou mais séria, a família tomou conhecimento da sua situação. Os mèdicos acreditam que Leonardo tenha neurocisticercose, uma infecção do sistema nervoso central causada, geralmente, pela ingestão de carne de porco contaminada. O quadro de Leonardo é estável, mas requer muito cuidado. Por conta das inúmeras convulsões, ele teve que ser induzido ao estado de coma.

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Leonardo está no HR desde a última quarta-feira. Nesse período, apenas um funcionário do Sport foi visitá-lo. O departamento médico do clube fez algumas ligações só para saber do seu estado de saúde. Mas, segundo a família e amigos, nenhum dirigente prestou solidariedade ao ídolo e funcionário do Leão. Ninguém recebeu ligação da alta cúpula do clube nem para informar sobre o estado de saúde de Leonardo. Ninguém da atual diretoria arregaçou as mangas para ajudá-lo. Dois ex-presidentes do Sport ofereceram ajuda: Wanderson Lacerda (que comandou Leão nos anos em que Leonardo chegou na Ilha do Retiro, no início dos anos 90) e Gustavo Dubeux. A luta agora é para que Leonardo consiga sair da UTI e seja transferido para um outro hospital.

Escrever textos relatando um ídolo do futebol beijando a lona é doloroso. Leonardo passou por dificuldades no final da sua carreira e mais ainda quando pendurou as chuteiras. Por mais que tivese uma vida fora de campo não condizente a de um atleta, Leonardo fez história. Do Sport, apesar de ser o terceiro maior artilheiro do clube e jogado muita bola, nunca recebeu uma sincera homenagem. Não teve direito a jogo de despedida. O caso vale uma reflexão sobre o papel dos clubes: se os dirigentes pregam tanto que trabalham para a formação não apenas de um atleta, mas também para a formação do cidadão, será que pensam na preparação para a aposentadoria do atleta que formou?