Em coma, internado no HR, Leonardo é mais um ídolo esquecido pelo Sport

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Por Marcelo Cavalcante, do Blog Arquibancada

Vez por outra sou obrigado a escrever sobre a amnésia dos clubes em relação à sua história. Ou seria desleixo? Não importa. Em ambos os casos, fico surpreso quando tudo que foi escrito durante o tempo não é valorizado. Como se o passado fosse um mero detalhe. Agora, nesse início de 2016, em pleno carnaval, vem a notícia do estado de saúde do ex-atacante do Sport, Leonardo. Além de um dos maiores atacantes que vi jogar pelo Sport, ele vinha atuando nas divisões de base do clube. Mas está praticamente esquecido pelo clube na UTI do Hospital da Restauração.

Desde de dezembro, Leonardo vinha sofrendo convulsões. Assustado, visitou médicos em busca de um diagnóstico preciso, mas foi em vão. Somente agora, quando a situação ficou mais séria, a família tomou conhecimento da sua situação. Os mèdicos acreditam que Leonardo tenha neurocisticercose, uma infecção do sistema nervoso central causada, geralmente, pela ingestão de carne de porco contaminada. O quadro de Leonardo é estável, mas requer muito cuidado. Por conta das inúmeras convulsões, ele teve que ser induzido ao estado de coma.

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Leonardo está no HR desde a última quarta-feira. Nesse período, apenas um funcionário do Sport foi visitá-lo. O departamento médico do clube fez algumas ligações só para saber do seu estado de saúde. Mas, segundo a família e amigos, nenhum dirigente prestou solidariedade ao ídolo e funcionário do Leão. Ninguém recebeu ligação da alta cúpula do clube nem para informar sobre o estado de saúde de Leonardo. Ninguém da atual diretoria arregaçou as mangas para ajudá-lo. Dois ex-presidentes do Sport ofereceram ajuda: Wanderson Lacerda (que comandou Leão nos anos em que Leonardo chegou na Ilha do Retiro, no início dos anos 90) e Gustavo Dubeux. A luta agora é para que Leonardo consiga sair da UTI e seja transferido para um outro hospital.

Escrever textos relatando um ídolo do futebol beijando a lona é doloroso. Leonardo passou por dificuldades no final da sua carreira e mais ainda quando pendurou as chuteiras. Por mais que tivese uma vida fora de campo não condizente a de um atleta, Leonardo fez história. Do Sport, apesar de ser o terceiro maior artilheiro do clube e jogado muita bola, nunca recebeu uma sincera homenagem. Não teve direito a jogo de despedida. O caso vale uma reflexão sobre o papel dos clubes: se os dirigentes pregam tanto que trabalham para a formação não apenas de um atleta, mas também para a formação do cidadão, será que pensam na preparação para a aposentadoria do atleta que formou?

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