Pizzaria Zuppe de volta à capital pernambucana

zuppe

Por Augusto Freitas, do DP

Nos anos 80 e 90 uma marca de pizza reinou no Recife e era a preferência de centenas de clientes em um mercado então pouco explorado. Quase duas décadas depois, a Zuppe, que tinha unidades na Rua do Futuro e na Zona Sul e cuja pizza era marcada pelo sabor no típico forno à lenha, está de volta.

A proposta na reabertura é outra, mas os novos sócios, o chef Liberato Pereira e o diretor de franchising Tancrêdo Menezes, prometem que o retorno será digno da tradição da Zuppe. As pizzas continuarão no cardápio, mas corresponderão a apenas 10% das opções de refeições. A dupla investiu R$ 2,4 milhões na recém-inaugurada unidade, localizada na Praça do Entroncamento (em um prédio onde funcionou antigos comitês de campanhas políticas e também a Casa Guido, entre duas farmácias de manipulação e o banco Itaú), com 440 metros quadrados. São 38 empregos diretos gerados e mais de 50 indiretos.

“Pela força, achamos interessante investir em uma marca que sempre esteve viva na memória do Recife. Compramos os direitos dos antigos donos, repaginamos a logomarca e agora estamos oficialmente funcionando”, explicou Tancrêdo Menezes. Sobre o novo formato, o chef Liberato Pereira, que no currículo possui mais de 30 anos em São Paulo trabalhando em restaurantes conhecidos, como La Tamboullie e Gero, e nos grupos Leopoldo e Fasano, além da parceria com chefs como Erick Jacquin, Silvio Lancellotti e Gia Carlo Bolla, explica o retorno. “As pizzas correspondem a apenas 10% do cardápio porque a Zuppe volta com um novo conceito gastronômico, de cozinha clássica italiana com um toque contemporâneo. Até mesmo as pizzas terão sabores diferenciados, requintados”, atesta.

No Recife, assim como no estado de Pernambuco, o mercado de pizzarias é bastante concorrido. Dados da Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe), apontam um total de 166 pizzarias “abertas e ativas” somente no Recife. Mas por uma tabela enviada pela própria Junta (com endereços de pizzarias, e considerando que muitos estabelecimentos atuam ainda sem regularização, além das micro e pequenas empresas), a lista é bem maior. Vale lembrar, ainda, que a Jucepe destacou no rol de estabelecimentos empresas que no objeto social do contrato tem a palavra “pizzaria”, podendo incluir pizzarias e também restaurantes e lanchonetes que servem pizzas.

Neste contexto da Jucepe, em virtude dessas considerações dos dados, a Zona Norte da capital pernambucana concentra um número de 169 estabelecimentos, contra 43 na Zona Sul, 44 na Zona Oeste e 22 no Centro, totalizando 278 estabelecimentos comerciais. No entanto, quando a questão envolve as franquias o cenário muda. De acordo com Leonardo Lamartine, diretor-regional da Associação Brasileira de Franchising (ABF) na Região Nordeste, cerca de 100 marcas de pizzas atuam, hoje, em Pernambuco. O mercado, segundo ele, está bastante saturado.

Onde se come mais pizza no Recife?

Sendo assim, é possível afirmar onde se come mais pizzas no Recife? “Cerca de 90% das vendas hoje no mercado de pizzas é fruto do delivery, que é superior às lojas físicas. Pernambuco é líder no número de franquias no Nordeste. Não dá para dizer onde se come mais pizzas no Recife, embora a Zona Sul talvez se sobressaia um pouco no consumo”, pontuou Lamartine. Segundo a ABF, Pernambuco cresceu 5,8% entre os anos de 2014 e 2015 quanto ao faturamento de “bares, restaurantes, padarias e pizzarias”, saltando de R$ 845 milhões para R$ 894 milhões. “O mercado cresce por que pizzas fazem parte do cardápio de refeições das pessoas, mas para implantar uma pizzaria o valor de vendas tem que ser viável para sustentar o negócio”, destaca Lamartine.

É neste contexto, inclusive, que a Zuppe em sua volta ao mercado está focando: franquias. Segundo Tancrêdo Menezes, a nova unidade terá um centro de treinamento específico para quem deseja se tornar um franqueador da marca. “A abertura da unidade também servirá de piloto para definirmos a expansão através de franquias. Nos próximos dois anos, também vamos focar em shoppings centers, mas fora de praças de alimentação”, ressaltou. Segundo ele, há três opções de franquias: a la carte, com espaço entre 300 e 400 metros quadrados e investimento de R$ 700 mil a R$ 800 mil, outro com dimensões entre 100 e 150 metros quadrados (incluindo delivery) e recursos de R$ 400 mil a R$ 500 mil, e mais uma, com 90 metros quadrados a partir de R$ 30 mil.

Para Valter Jarocki, diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Pernambuco (Abrasel-PE), a tendência é de crescimento do setor de pizzarias no estado nos próximos anos. A associação possui apenas 30 estabelecimentos associados, um número bem abaixo do total de estabelecimentos sugeridos pelo órgão na Região Metropolitana do Recife (RMR), de cerca de 5,2 mil no setor específico de alimentação (confira mapa interativo).

“O setor de um modo geral, incluindo as franquias, cresce a cada ano por que pizza é um produto forte no cardápio. Não temos pesquisa apontando onde se come mais pizzas no Recife, até por que teríamos de filtrar os estabelecimentos comerciais e as lojas delivery. Mas é um produto com amplo crescimento no consumo, tanto que redes internacionais chegaram com muita força e outras novas estão voltando”, completou.

Foto: Augusto Freitas/DP

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