Problemas oftalmológicos podem afetar rendimento escolar

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Para algumas crianças, a volta às aulas não é sinônimo de tristeza apenas pela diminuição das brincadeiras, viagens e passeios. Significa também o retorno do estresse causado pelo baixo rendimento escolar. O que poucos percebem a tempo, entretanto, é que a causa pode estar relacionada a distúrbios oftalmológicos. Dentre os principais responsáveis pelo baixo desempenho das crianças em sala de aula estão os erros de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo) – que torna necessário o uso dos óculos – além de outras patologias que podem vir isoladas ou associadas a estes erros.

Que sintomas ou reações, então, podem sinalizar aos pais e professores quanto a estes problemas? A oftalmologista Simone Travassos, do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), afirma que além da reclamação da própria criança quanto à baixa visual ou diferença de visão entre um olho e outro, existem outros sinais. “Dor de cabeça, aproximar-se dos objetos e pessoas para enxergá-los, cair com frequência, bater nas coisas, franzir a testa, queixar-se de visão dupla ou borrada, além de alterações de comportamento, como a falta de concentração na sala de aula”, orienta.

Até mesmo na frase pré-escolar já existem sintomas perceptíveis. “Fechar um dos olhos para ver, coçá-los, piscar em excesso, lacrimejamento, fotofobia ou vermelhidão. Em patologias mais severas, até mesmo “tremor” nos olhos (nistagmo), reflexo escuro ou esbranquiçado ao invés do reflexo vermelho, córneas com diferença de tamanho entre um olho e outro, alteração no tamanho do globo ocular, posição de cabeça (torcicolo), estrabismo (desvio ocular) e alterações palpebrais”, relaciona.

A visita ao médico, portanto, é indispensável antes mesmo que os sintomas apareçam. Afinal, sabe-se, atualmente, que 90% do desenvolvimento visual se dá nos primeiros 2 anos de vida. Os 10% restantes, até os 7. Ou seja, no momento de a criança “conhecer as letras”, o processo já está praticamente concluído. “O atraso pode até resultar em uma ambliopia, que é a baixa visual de um olho anatomicamente normal e que, se não tratada precocemente, poderá tornar-se irreversível”, explica Dra. Simone.

Outro problema perceptível com a volta às salas de aula é a dislexia. A doença atinge de 5% a 17% da população mundial e possui características facilmente confundidas com outras síndromes, como o déficit de atenção, ou até mesmo com falta de interesse da pessoa afetada. O que é, entretanto, a dislexia? Ela caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, soletração e escrita, afetando a vida familiar, escolar e social. O problema normalmente é identificado nas salas de aula na alfabetização. O que pouca gente sabe é que, além disso, a maioria dos pacientes com a deficiência apresenta uma disfunção no sistema de propriocepção que pode ser uma das causas da doença.

Este sistema é responsável por captar variações no estado de contração ou relaxamento dos músculos de todo o corpo. O cérebro recebe e processa essas informações, as utiliza para as diversas atividades do dia como o movimento dos olhos na leitura. “A dislexia é mais que um caso isolado, pode fazer parte de uma síndrome conhecida como Síndrome da Deficiência Postural – SDP. Para o tratamento é preciso uma equipe multidisciplinar como neurologista, fonoaudólogo, oftalmologista e outros”, explica a coordenadora do departamento de oftalmopediatria do HOPE, Liana Ventura. Os principais sintomas da SDP cognitiva a serem observados podem aparecer isolados ou associados, variando de intensidade. Os mais comuns, entretanto, são: cognitivos, com dificuldades de concentração, leitura, compreensão; troca de letras; dificuldade na lateralidade (direita e esquerda) e desorganização. Em alguns casos, a Dislexia é associada a sintomas musculares e vertinignosos, conhecida como Sindrome da Deficiência Postural – SDP, os sintomas são musculares (dores musculares, torcicolos, cefaleia (dor de cabeça), bruxismo, fadiga e incontinência urinária noturna) e vertiginosos (movimentos imprecisos e descoordenados, quedas, entorses frequentes, desconforto em espaços muito amplos ou muito fechados e tontura ou náuseas ao andar de carro ou de ônibus). O diagnóstico, entretanto, sempre deve ser feito por um médico, lembrando do risco de ser confundida com outras síndromes.

Dicas de como ler e escrever:

1. Apoiar o texto na rampa de leitura inclinada a 30º em relação ao eixo horizontal;

2. Os pés devem estar sobre um apoio horizontal suficientemente alto (dois dedos entre cadeira e coxa) para relaxar músculos lombares;

3. Pés e pernas paralelos e ligeiramente separados

4. Nádegas no fundo da cadeira

5. Ombros descontraídos

6. Mãos desocupadas estendidas sobre joelhos

7. Cabeça bem vertical sem fechar a arcada dentária

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