Uma chuva de gols na Ilha do Retiro

Foi um banho! Literalmente. Sob forte e ininterrupta chuva, o Sport venceu o Atlético-GO por 4×0, nesta quinta-feira (20), na Ilha do Retiro, pela 15ª rodada do Brasileirão. O resultado recolocou o Leão no G-6, a zona de classificação à Libertadores. Os rubro-negros subiram para a quinta colocação, com 24 pontos.

O Sport volta a campo no domingo. Encara o Palmeiras, às 16h, na Arena de Pernambuco. Trata-se de um confronto direto pelo G-6. No momento, os palmeirenses somam 23.

O JOGO

Em um gramado encharcado por conta da forte chuva, a vontade prevaleceu em detrimento da técnica no primeiro tempo. Nesse quesito, os rubro-negros foram indiscutivelmente superiores. Cada bola foi disputada como se fosse “a bola da vida”. E nessa imposição na base da força, o Sport construiu uma cômoda vantagem antes do intervalo.

A vitória começou a se desenhar logo no primeiro lance. Mena cruzou rasteiro da esquerda e achou livre no meio da área o volante Patrick, que mandou com frieza para o fundo da rede aos 6 minutos. Foi o primeiro gol do camisa 88 pelo Leão. Daí em diante, um verdadeiro “monólogo” rubro-negro, com várias chances em sequência.

De tanto pressionar, o Sport achou seu segundo gol aos 18. Mais uma vez, o lance nasceu nos pés do chileno Mena, que cruzou na medida para Diego Souza cabecear para o fundo da rede: 2×0. Foi o 33º do camisa 87 pelo Leão em Brasileiros, que empatou com o ex-atacante Leonardo como o maior artilheiro do Clube na história da Série A.

Oito minutos depois, Diego Souza quase ampliou. O meia deixou para trás o marcador, invadiu a área e deu uma “cavadinha” para superar Klever, mas o goleiro conseguiu dar um tapa e impedir um golaço. Só que aos 40, ele nada pôde fazer. Depois de cobrança de falta da direita, André apareceu entre os zagueiros para escorar para o fundo da rede: 3×0.

No segundo tempo, o gramado ficou ainda mais pesado e os atletas encontraram dificuldades para fazer a bola rolar. Assim, os lances ofensivos se tornaram raros. Mas quando a chuva deu uma trégua, o Leão ampliou. Aos 35 minutos, Rithely lançou André, que bateu com categoria encobrindo o goleiro goiano. Golaço e fim de papo na Ilha. Sport 4×0.

FICHA DO JOGO

SPORT: Agenor; Samuel Xavier, Ronaldo Alves, Durval e Mena (Sander); Patrick, Rithely e Diego Souza (Rodrigo); Everton Felipe, Rogério (Lenis) e André. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

ATLÉTICO-GO: Klever; André Castro, Gilvan, Roger Carvalho e Breno Lopes; Marcão (Heleno), Igor e Paulinho (Andrigo); Jorginho, Niltinho (Silva) e Walter. Técnico: Doriva.

Local: Ilha do Retiro. Árbitro: Dewson Freitas da Silva (PA). Assistentes: Hélcio Araújo e José Ricardo Coimbra (ambos do PA). Gols: Patrick, aos 8 minutos do 1º tempo; Diego Souza, aos 18 do 1º; e André, aos 40 do 1º. Cartões amarelos: Rithely e Everton Felipe (S); e Igor (A). Público: 9.748 torcedores. Renda: R$ 194.049,00.

Do Site Oficial / Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

O último adeus ao ídolo Leonardo

LEODESP

A manhã desta quarta-feira (2) foi reservada para a torcida e os familiares darem o último adeus ao ídolo Leonardo. Centenas de torcedores passaram pela Sede do Clube e fizeram suas últimas homenagens e orações. Antigos colegas, alunos e parentes se emocionaram com a partida. Muitos jogadores da base, que aprenderam bastante com Leonardo, também prestaram condolências.

O enterro, a pedido dos familiares, será realizado em Picos, no estado do Piauí, no cemitério de São Pedro, às 9h. O velório na Ilha do Retiro seguiu aberto ao público até às 14h e, em seguida, o corpo foi levado direto para o Aeroporto Internacional dos Guararapes. Como o sepultamento será apenas amanhã, a família acatou a orientação médica de diminuir a exposição do corpo, e Leonardo foi levado ao aeroporto em um carro funerário em vez do carro do Corpo de Bombeiros.

A certeza de todo rubro-negro é que Leonardo permanecerá vivo e gigante na história do Sport. A despedida foi dolorosa, mas os momentos de felicidade que Leonardo proporcionou são eternos.

Foto:  Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Do Site Oficial do Sport

Sport: Morre Leonardo, o eterno ídolo rubro-negro

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Por Irce Falcão

Internado há quase mês no Hospital da Restauração, o ex-atacante do Sport, Leonardo, de 41 anos, faleceu às 15h15 desta terça-feira. Segundo a médica responsável pela UTI adulta da unidade, dra. Fátima Buarque, a causa foi falência múltipla dos órgãos, ocasionada pelo agravamento do quadro de neurocisticercose, doença adquirida através da ingestão de carne porco sem o devido cozimento ou de má procedência. Os problemas do ex-jogador começaram em outubro do ano passado, com crises convulsivas. Em janeiro, ele passou a apresentar febre alta e acabou transferido para o HR, onde teve novos episódios convulsivos e acabou encaminhado à UTI.

O quadro evoluiu para perda de consciência e Leonardo foi sedado, entrando em estado de coma induzido. Após a retirada dos medicamentos, não houve resposta positiva dele, que passou ao estágio de coma em grau 3. Desde então, o quadro clínico de Leonardo vinha sofrendo pioras e, no último domingo, ele começou a fazer sessões de hemodiálise para auxiliar na redução do líquido acumulado, já que o organismo não o estava liberando.

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CARREIRA

Leonardo nasceu em Picos, no Piauí, em 13 de junho de 1974, foi um dos maiores jogadores da história do Sport. Com 136 gols com a camisa rubro-negra, ele é o maior artilheiro da história do clube pernambucano, perdendo só para Traçaia e Djalma, que foram goleadores nas décadas de 50 e 60, respectivamente. Outra marca que coloca Leonardo entre os maiores ídolos do Sport é a de títulos conquistados. Ao todo são sete, com duas Copas do Nordeste (1994 e 2000) e cinco Campeonatos Pernambucanos (1994, 1997, 1998, 1999 e 2000). Só perde para o goleiro Magrão em número de títulos conquistados.

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Além de vestir a camisa vermelha, preta e amarela, ele passou pelo Vasco, onde jogou com Juninho Pernambucano em 1995. No ano seguinte se transferiu para o Corinthians, onde foi um dos artilheiros do clube na Libertadores, mas a passagem foi curta e no mesmo ano foi para o Palmeiras.

Em 1997 retornou ao Sport e foi uma passagem marcante, onde foi artilheiro e campeão do Pernambucano. Foram mais três títulos estaduais e o foi protagonista na boa campanha rubro-negra da Copa João Havelange de 2000. Em 2001 foi para o Cruzeiro, mas não teve muito destaque. Ainda jogou pelo América/MG, Vitória/BA e Belenenses de Portugal.

Como diz o ditado, um bom filho a casa torna e Leonardo retornou ao rubro-negro pernambucano em 2005. Porém, sua última passagem não foi das melhores e o clube não conseguiu ser campeão pernambucano no ano do centenário e quase foi rebaixado para a Série C. Ele ainda jogou por Paysandu, Guarany-CE, Picos-PI, Central, Cametá-PA, Sete de Setembro e Afogadense, onde encerrou a carreira em 2012.

Leonardo trabalhava nas categorias de base do Sport desde 2014 e era o principal responsável por lapidar os garotos que sonham em se tornarem jogadores de futebol.

Da Folha PE

Em coma, internado no HR, Leonardo é mais um ídolo esquecido pelo Sport

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Por Marcelo Cavalcante, do Blog Arquibancada

Vez por outra sou obrigado a escrever sobre a amnésia dos clubes em relação à sua história. Ou seria desleixo? Não importa. Em ambos os casos, fico surpreso quando tudo que foi escrito durante o tempo não é valorizado. Como se o passado fosse um mero detalhe. Agora, nesse início de 2016, em pleno carnaval, vem a notícia do estado de saúde do ex-atacante do Sport, Leonardo. Além de um dos maiores atacantes que vi jogar pelo Sport, ele vinha atuando nas divisões de base do clube. Mas está praticamente esquecido pelo clube na UTI do Hospital da Restauração.

Desde de dezembro, Leonardo vinha sofrendo convulsões. Assustado, visitou médicos em busca de um diagnóstico preciso, mas foi em vão. Somente agora, quando a situação ficou mais séria, a família tomou conhecimento da sua situação. Os mèdicos acreditam que Leonardo tenha neurocisticercose, uma infecção do sistema nervoso central causada, geralmente, pela ingestão de carne de porco contaminada. O quadro de Leonardo é estável, mas requer muito cuidado. Por conta das inúmeras convulsões, ele teve que ser induzido ao estado de coma.

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Leonardo está no HR desde a última quarta-feira. Nesse período, apenas um funcionário do Sport foi visitá-lo. O departamento médico do clube fez algumas ligações só para saber do seu estado de saúde. Mas, segundo a família e amigos, nenhum dirigente prestou solidariedade ao ídolo e funcionário do Leão. Ninguém recebeu ligação da alta cúpula do clube nem para informar sobre o estado de saúde de Leonardo. Ninguém da atual diretoria arregaçou as mangas para ajudá-lo. Dois ex-presidentes do Sport ofereceram ajuda: Wanderson Lacerda (que comandou Leão nos anos em que Leonardo chegou na Ilha do Retiro, no início dos anos 90) e Gustavo Dubeux. A luta agora é para que Leonardo consiga sair da UTI e seja transferido para um outro hospital.

Escrever textos relatando um ídolo do futebol beijando a lona é doloroso. Leonardo passou por dificuldades no final da sua carreira e mais ainda quando pendurou as chuteiras. Por mais que tivese uma vida fora de campo não condizente a de um atleta, Leonardo fez história. Do Sport, apesar de ser o terceiro maior artilheiro do clube e jogado muita bola, nunca recebeu uma sincera homenagem. Não teve direito a jogo de despedida. O caso vale uma reflexão sobre o papel dos clubes: se os dirigentes pregam tanto que trabalham para a formação não apenas de um atleta, mas também para a formação do cidadão, será que pensam na preparação para a aposentadoria do atleta que formou?